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“Boa parte do processo de aprendizado consiste em relembrar o que já sabemos” (Platão).
Com a facilidade de acesso a informação, o trabalho do professor está mais no sentido de orientar os acadêmicos, ou ainda, de facilitar a compreensão e a interpretação de tais informações.
FAROL
Os faróis foram criados como instrumentos de orientação aos navegantes, para indicar a entrada de portos ou a presença de recifes, bancos de areia e outras áreas perigosas. Antes do seu aparecimento, já havia, por volta do século VIII a.C., o costume de acender fogueiras nos pontos críticos do litoral, ao longo das rotas mais navegadas.
ORIGEM DO TERMO
O termo farol deriva da palavra grega Faros, nome da ilha próxima à cidade de Alexandria onde, no ano 280 a.C., foi erigido o farol de Alexandria — uma das sete maravilhas do mundo antigo. Faros deu origem a esta denominação em várias línguas românicas – como em francês (phare), em espanhol e em italiano (faro) e em romeno (far).
FAROL DE ALEXANDRIA
Alexandria foi fundada em 332 a.C. e veria seu mentor morrer de maneira misteriosa onze anos depois em 323 a.C.. Ptolomeu Soter novo líder do Egito efetuou as obras que completariam o que fora iniciado por Alexandre, o grande.
Representação do farol na ilha de Pharos
Ainda no período em que Alexandre vivia e liderava o império grego, ele determinou que todos os conhecimentos encontrados em todos os povos dominados e que faziam parte de seu reino viessem a ser centralizados na famosa biblioteca de Alexandria, esta cidade seria também um importante centro de cultura e de ensino, isso foi muito bem visto e continuado de maneira intensa por Ptolomeu Sóter (Ptolomeu I) seu sucessor, porque ele era um homem de muita cultura e se interessava em tudo o que se relacionava com os conhecimentos. Seu filho Ptolomeu II era reconhecidamente um apaixonado pela coleção de livros chegando a adquirir bibliotecas inteiras (a biblioteca de Aristóteles foi uma delas)’.
Alexandre da Macedônia
Mas as práticas comerciais na cidade recém formada passaram a ser cada vez mais intensas e a navegação uma constante na região permitindo desde pequenas colisões e naufrágios até a perda de muita mercadoria. Com isso Ptolomeu determinou a necessidade de se construir um farol em 290 a.C. que viria a ser finalizado vinte anos depois em 270 a.C.. Para realizar o projeto, o serviço foi determinado à Sóstrates de Knidos, um homem inteligente e que por sua façanha, teria se sentido orgulhoso pelo feito e pediu à Ptolomeu Filadelfo (Ptolomeu II filho de Ptolomeu I), que seu nome estivesse na fundação. O atual governante não aceitou o pedido de Sóstrates e determinou que o seu nome (Ptolomeu II) fosse o único a constar na construção. Sóstrates então escreveu: “Sóstrates filho de Dexifanes de Knidos em nome de todos os marinheiros para os deuses salvadores”, colocando sobre esta inscrição uma espessa camada de gesso onde escreveu o nome de Ptolomeu. Ao passar dos anos, o gesso caiu por envelhecimento revelando então a verdadeira autoria declarada por Sóstrates, seu inteligente autor.
Localização
O local da edificação foi a ilha de Pharos e em pouco tempo a construção passou a ser tratada de farol que por sua influência forte tornou-se sinônimo de Lighthouse (casa de luz em inglês) e nas línguas latinas, o significado de um pilar com iluminação ao topo passou a ser denominado farol.
Ele dispunha de equipamentos de medição, posicionamento do Sol, direção dos ventos e as horas do dia. Além de ser dotado de alta tecnologia para o seu tempo, era um verdadeiro símbolo da cidade e servia como referência para atrair diversos cientistas e intelectuais da antiguidade.
A primeira base continha também centenas de armazéns e no interior das partes superiores uma canalização para transportar o combustível até o fogo (provavelmente era utilizado o azeite de oliva). A escadaria interna também permitia a transição de vigilantes e visitantes. A parte superior contava com uma câmara de baliza para direcionar um enorme espelho encurvado utilizado para projetar a luz do fogo em uma viga. Segundo relatórios encontrados e dados levantados por pesquisa, as embarcações podiam receber a luz irradiada à noite pela torre, ou a fumaça do fogo durante o dia com muita facilidade em até quarenta milhas de distância (mais de 64 km), existem suposições de que alcançassem até cem milhas (mais de 160 km).
Ele não servia apenas como uma referência de navegação, mas também como atração turística, visto que haviam comerciantes de iguarias e alimentação aos visitantes do local na plataforma de observação da primeira estrutura que ficaria à 200 pés de altura (60,96 metros) da estrutura e perto de 300 pés em relação ao mar (91,44 metros). Não seria portanto uma visão para qualquer pessoa, poucos poderiam ter acesso à esta visão.
Houve a migração de diversas personalidades pois era uma região que concentrava os principais eventos de ensino e cultura, cumpria-se assim a vontade de Alexandre o Grande, que ao fundar a cidade, em 332 a.C., queria transformá-la em centro mundial do comércio, da cultura e do ensino. Os reis que o sucederam deram continuidade à sua obra. Sob o reinado de Ptolomeu I (323-285 a.C.), por exemplo, o matemático grego Euclides criou o primeiro sistema de geometria. Também ali o astrônomo Aristarco de Santos chegou à conclusão de que o Sol e não a Terra era o centro do Universo. Passaram ainda, ou viveram na cidade, grandes nomes da álgebra e geometria (Apolônio de Perga, Herão de Alexandria, Diofanto), da astronomia (Cláudio Ptolomeu, Hiparco de Nicéia), da filosofia (Eratóstenes), da história (Maneton, Hecateu de Abdera), da matemática, física e mecânica (Arquimedes, Herão, Papo de Alexandria, Teão – pai de Hipácia, Hipácia, Estratão, Ctesíbio), da literatura, gramática e poesia (Calímaco, Filetas de Cós, Teócrito, Zenódoto de Éfeso (o primeiro bibliotecário-chefe), Aristófanes de Bizâncio, Aristarco de Samotrácia, Dionísio Trax, Dídimo Calcêntero), da medicina e cirurgia (Herófilo de Calcedônia, Galeno, Erasístrates, Heraclides de Taranto), entre muitas personalidades. Calcula-se que o farol tenha sido destruído entre os séculos XII e XIV.
